ENTREVISTA #1 – CAIO FLEURY E BRUNA MACHADO

Há poucas semanas atrás tive a excelente oportunidade de conhecer o trabalho do Caio Fleury e Bruna Machado e gostaria muito de compartilhar com vocês.

O casal é dono do blog Primal Brasil (excelente blog que recomendo a todos vocês) e responsável pelo ótimo trabalho de divulgação do estilo de alimentação Paleolítico aqui no Brasil. A alimentação Paleolítica é bem parecida com o que falamos aqui no blog, e independente da denominação diz respeito a uma forma mais natural e saudável de alimentação e hábitos de vida.

Caio lançou há pouco tempo o livro “A Dieta dos Nossos Ancestrais”, que acabei de ler e recomendo a todos! É um dos únicos livros em português que fala sobre esse tipo de alimentação e estilo de vida. Se você quer entender um pouco mais sobre o assunto recomendo muito a leitura. O livro é cheio de excelente conteúdo e no final você ainda ganha um capítulo só de excelentes receitas. Se quiser saber mais informações sobre o livro, aqui vai o link.

DIETA DOS NOSSOS ANCESTRAIS

Além disso foi um grande prazer conhecer pessoas tão interessadas em saúde e principalmente em divulgar esse tipo de conhecimento. Espero que gostem da entrevista que é primeira de uma série que pretendo fazer. Essa, especialmente é em dose dupla e está cheia de boas informações.

Muito obrigado Caio e Bruna pela disponibilidade e atenção e principalmente pela qualidade das informações.

CAIO E BRUNA

Rodrigo: O estilo de vida e alimentação que falamos aqui no “Nutrição do Futuro” é muito conhecido lá fora como estilo de vida Paleo. Vocês poderiam explicar um pouco mais no que consiste o movimento e de que maneira a ciência sustenta essa nova forma de se alimentar? 

Bruna: O movimento Paleo é, basicamente, baseado na premissa de seguir a alimentação dos nossos ancestrais do período paleolítico, no qual a base do nosso código genético foi moldada e que persiste até hoje. Nossos ancestrais não tinham doenças modernas como obesidade, doenças cardíacas, câncer e tinham muito vigor físico e energia, pois sua dieta consistia em alimentos naturais e densos nutricionalmente. Foi com os alimentos disponíveis naquela época que nosso corpo se adaptou e sobreviveu por milhares de anos, são estes nutrientes que nosso corpo está naturalmente apto a receber. Por isso, hoje em dia, quando ingerimos alimentos não naturais a nossa essência, como alimentos processados, grãos (a agricultura surgiu apenas há 10.000 anos atrás, muito recente do ponto de vista evolutivo), açúcar refinados, etc, nosso corpo reage a estes alimentos estranhos desenvolvendo diversas doenças e gerando o aumento de peso.

 Os alimentos modernos que se assimilam mais fortemente com o perfil nutricional dos alimentos disponíveis na era paleolítica e consequentemente mais adequados para a saúde do nosso corpo seriam: as carnes selvagens ou alimentadas a pasto, peixes selvagens (não criados em cativeiro), aves e ovos orgânicos ou caipiras, azeite de oliva extra virgem, óleo de coco, abacate, vegetais, oleaginosas, tubérculos e frutas, com moderação.

alimentos paleo

Caio:  Hoje em dia é possível por meio de estudos isotópicos, ou seja, por meio do rastreamento de alimentos de carbono nos ossos e nos dentes dos nossos ancestrais do período paleolítico (2,5 milhões a 10 mil anos atrás) estimar com bastante precisão o que eles consumiam. A maioria das evidências ósseas demonstra que o ser humano é um animal onívoro, mas com uma predominância de consumo de carnes em sua dieta. Estudos recentes com populações indígenas isoladas ao redor do mundo também demonstram um consumo de alimentos animais acima de 50% para a grande maioria das populações.

Ao contrário do que muita gente pensa, nossos ancestrais esbanjavam saúde condicionamento físico e vitalidade. A expectativa de vida dos nossos ancestrais diminuiu após o desenvolvimento da agricultura somente aumentando nos últimos séculos com o desenvolvimento de melhores condições de saneamento, medicina, que possibilitou uma grande diminuição na taxa de mortalidade infantil, entre outros fatores. Alguns estudos apontam para uma taxa de mortalidade infantil (até os 4 anos de idade) de 1/3 a ¼ nas populações isoladas, devido aos grandes riscos inerentes à vida selvagem, como infecções como a malária e acidentes. Esta taxa de mortalidade contribui fortemente para a diminuição da expectativa de vida, somado ao risco inerente de vida selvagem, a média de expectativa do homem selvagem chega a menos de 40 anos de vida.

Muitos médicos e pesquisadores dedicaram anos de suas vidas estudando a saúde de populações isoladas. Entre eles o médico e pesquisador Staffan Lindenberg passou anos estudando a população dos Kitava, tribo indígena da região de Nova Papua Guinea e relatou a presença de indivíduos idosos que gozavam de extrema saúde, sem encontrar incidência de doenças degenerativas como diabetes, doenças cardíacas e o câncer.

Pesquisas demonstram uma melhora geral nos marcadores sanguíneos como: o colesterol HDL “bom”, LDL (principalmente pequenas partículas), triglicérides, níveis de insulina, glicose em jejum, etc. Resultados melhores do que os obtidos por meio de outras dietas, como por exemplo, a dieta mediterrânea, além de uma maior perda de peso e gordura visceral (abdominal) do que em outras dietas.

Para mais informações, no meu livro A DIETA DOS NOSSOS ANCESTRAIS eu reuni alguns dos principais estudos que demonstram como a dieta dos nossos ancestrais gera uma melhora nos marcadores sanguíneos mais do que com outras dietas como a dieta mediterrânea e a dieta criada pela FDA (órgão americano que regulamenta os alimentos) para diabéticos e também reuni informações sobre como melhorar seus marcadores sanguíneos na prática do dia a dia.

Rodrigo: Há quanto tempo vocês seguem esse estilo de vida?

Bruna: Eu sigo há cerca de três anos, mas fui aperfeiçoando minha alimentação com o tempo. Hoje me atento não apenas ao que estou comendo, mas também aos horários que devo consumir determinados alimentos, quais alimentos devo consumir com mais moderação, pois podem ter algum efeito negativo no meu organismo. Quanto mais tempo se segue a dieta, mais buscamos o aperfeiçoamento. Vamos conhecendo cada vez mais nosso organismo, o que digerimos bem, o que devemos evitar, damos mais prioridade a procedência os alimentos.

Caio: Eu sigo a dieta a aproximadamente três anos. No começo ainda consumia um pouco de pães e torradas diariamente, mas havia reduzido pelo menos 70% do consumo dos mesmos. O trigo age como um opióide (1) em áreas de recompensa do cérebro de forma semelhante a heroína e metanfetaminas. Levei quase um ano para me livrar completamente do vício do trigo. Foi uma batalha diária que me levou ao estado atual, que me encontro 100% livre do vício. Hoje em dia comer trigo é como se fosse o cigarro para mim, ou seja, não sinto vontade alguma, mesmo sentindo o cheiro ou vendo todo mundo comer por perto.

trigo_low

Rodrigo: Quais foram as principais mudanças e benefícios que encontraram no corpo de vocês seguindo esse tipo de alimentação?

Bruna: Desde que comecei a dieta emagreci 5kg, chegando ao meu peso ideal. Notei a mudança também no aumento de massa magra e perda de gordura. Além disso, minha disposição aumentou muito, não sinto mais sono depois do almoço, consigo ser mais produtiva e focada. Tinha dores de cabeça semanais, coisa que hoje não acontece mais, apenas quando estou muito estressada ou durmo pouco.

Caio: Perdi 8 kg e mantive até hoje. Na época costumava correr regularmente, meu tempo de corrida melhorou consideravelmente com a perda de gordura corporal. Meu sistema imunológico passou a funcionar como nunca havia presenciado antes, costumava pegar resfriados praticamente toda a semana durante o inverno, tinha muita rinite alérgica, conjuntivite e resfriados constantes. Minha vida mudou completamente, meu corpo se tornou muito mais forte e resiliente, de modo nunca mais ficar sequer resfriado desde então exceto uma ocasião ou outra que com a falta de sono prolongado e excesso de estresse meu corpo reagiu com um leve resfriado passageiro. Meus reflexos se tornaram muito mais rápidos, assim como a memória e a capacidade de concentração. Foi uma transformação total que aconteceu muito rápido.

Rodrigo: Como lidam com os eventos sociais onde muitas vezes, fugir dos carboidratos refinados e principalmente dos açúcares é tão complicado?

Bruna: Sempre que possível, tento comer em casa antes de algum evento, para não cair na tentação de atacar algum alimento rico em carboidratos e açúcares. Mas ocorre de não resistir às vezes, mas procuro não criar um drama em cima disso. Acho que o importante é não ficar se culpando por ter saído da dieta e sim encarar como um fato normal, aconteceu, ok. Agora vamos voltar à alimentação normal que fica tudo bem. Fora que meu organismo quase sempre reage a um carboidrato ou açúcar, ficando mais lento ou dependendo do que comi, tendo problemas de digestão. Então as escapadas se tornam cada vez menos frequentes.

Caio: Boa pegunta!! rsrs Eu não costumo ir para eventos sociais frequentemente, mas quando vou tomo uma bebida ou outra sem problemas. Fico feliz por ter uma boa desculpa para beber huah (acho que o resto do país também) Quanto as porcarias como salgados, pizza, etc simplesmente não como, procuro sempre por outra opção mais saudável como uma carne ou um sushi. Isso não significa que quem segue a dieta não pode se esbanjar de vez em quando, isso pode até ser bom e fazer bem dentro de um contexto social, mas eu particularmente prefiro tomar um vinhozinho ou uma cerveja sem exagerar!

Rodrigo: Por que não devemos encarar esse tipo de alimentação como dieta e sim como um estilo de vida?

Bruna: Porque não é uma dieta no sentido moderno da expressão. Não é um plano alimentar que você segue por 21 dias ou para entrar no biquíni, é mesmo uma mudança de vida. Os benefícios vão muito além da simples perda de peso, ao alimentar-se corretamente você está prevenindo inúmeras doenças e está deixando de causar um estresse enorme no seu organismo. Além de que, uma vez adaptado a dieta, os ganhos de energia e disposição são tão grandes que você simplesmente não quer mais voltar aos alimentos que consumia antes, você realmente abraça este estilo de vida pois ele te faz muito bem.

Caio: Viver de acordo com a cultura primordial dos nossos ancestrais ao longo de milhares de anos de maneira a adaptarmos com o estilo de vida moderno nos possibilita aproveitar melhor os benefícios da modernidade. Nossa experiência no mundo moderno muitas vezes se limita a uma rotina restrita, ou seja, trabalho, academia, cozinha e cama.

Existem diversas possibilidades a serem exploradas a cada dia, que podem tornar nossas vidas melhores e mais ricas, nos permitem ter mais disposição, entusiasmo, alegria e motivação, que podem levar à sentimentos de serenidade, paz e felicidade, se agirmos de acordo com nossos princípios, contribuindo para o nosso bem e o das pessoas que nos cercam.

Nosso corpo por meio de nossos 5 sentidos está constantemente se relacionando com o meio ambiente e isso significa que tudo que fazemos causa um impacto direto em nós. Parece óbvio, mas muita gente não parece estar ciente disso e se limitam a dizer que tudo é influenciado pela genética e somos destinados a viver de determinada maneira. Esta é uma visão muito arcaica sobre o ser humano. Não é bem assim, tudo que escutamos, olhamos, sentimos, cheiramos e comemos influencia nossas vidas e, portanto quem somos.

lifestyle

Apesar da seqüência de nosso DNA permanecer-se estável ao longo de nossas vidas, mudanças funcionais (2) em nosso genoma por meio da ativação de certos genes, podem ocorrer ao longo de nossas vidas decorrentes de fatores ambientais que irão regular a expressão dos mesmos, permitindo que as células desenvolvam características diferentes.

Quando enxergamos, tocamos, cheiramos, pensamos, aprendemos, ou lembramos, milhões de neurônios em nossos cérebros se tornam ativos, o que irá influenciar a criação de novos neurônios, células e hormônios que irão determinar quem somos. Por exemplo:

“Special report: ‘What genes remember’ by Philip Hunter | Prospect Magazine May 2008 issue 146”. Web.archive.org. 2008-05-01. Retrieved 2012-07-26.

Fazer atividades físicas gera a neurogêneses, ou seja, criação de novos neurônios em áreas do cérebro como o hipocampo, a área do cérebro responsável pela criação de memórias e inteligência espacial (3, 4, 5, 6, 7). Fazer atividades físicas de maneira variada de modo a explorar mais nossos movimentos e nos relacionarmos com o ambiente de diversas maneiras nos tornarmos mais resilientes em nossas vidas aprendemos a nos adaptar melhor em diferentes situações exploramos. Para que nossos ancestrais aumentassem sua capacidade de sobrevivência eles tiveram que se tornar bípedes, ou seja aprenderam a andar, também tiveram que correr, fugir, escalar, nadar, etc. Se o indivíduo se limitasse a uma atividade, sua chance de sobrevivência diminuiria drasticamente.

O que você come determina a produção de enzimas, influencia as reações químicas consequentes da produção destas enzimas e afeta os hormônios que serão produzidos de modo a determinar nossa composição corporal (músculos, gordura, ossos). O que comemos também  determina a saúde do nosso sistema imunológico, saúde cerebral e saúde geral que influencia nosso comportamento, ou nossa resposta à diferentes estímulos do ambiente.É uma cascata de eventos que são influenciados por todas as nossas ações.

Se você mudar um componente você irá influenciar o resultado final, mas muitas vezes somos tão resistentes a mudanças de nossos hábitos que permanecemos percebendo o mundo de maneira muito parecida diariamente. Precisamos sempre mudar, a mudança pode ser traduzida em movimento e o movimento é a essência da vida.

Somos seres sociais, o relacionamento com o próximo foi desenvolvido a principio a partir da capacidade dos seres vivos de sentirem empatia ao próximo, o que faz parte de nosso cérebro secundário inerente a todos os mamíferos. Em seguida a evolução permitiu que desenvolvêssemos o cérebro primário, o córtex responsável por nossas funções executivas e racionais, o que permitiu a explosão cultural (8) do ser humano durante o período paleolítico tardio (a partir de 400 mil anos atrás aproximadamente).

Somos totalmente dependentes do próximo para nossa sobrevivência e para o próprio desenvolvimento intelectual do córtex cerebral que possui vias neurais e hormonais diretamente ligadas ao cérebro primário (hipotálamo). Por exemplo, a reação luta e fuga é uma resposta de nossas amígdalas, região do hipocampo (cérebro primário) a percepção de perigo no ambiente. Experimentos com animais demonstram que animais que vivem em um ambiente perigoso em constante estado de estresse desenvolvem menos conexões neurais no cérebro, o mesmo ocorre com humanos que acabam não desenvolvendo bem suas funções cognitivas (9). Já animais criados em ambientes seguros com a proteção materna desenvolvem mais conexões cerebrais, desenvolvem um sistema imunológico mais forte e são muito mais aptos a sobreviverem. A natureza trabalha de modo a otimizarmos nosso potencial de sobrevivência como espécie e a cultura é consequência desta evolução.

Nosso organismo evoluiu de maneira a nos possibilitar ficarmos horas sem comer caso houvesse escassez de alimentos. Diversas pesquisas (10,11, 12) demonstram que jejuns intermitentes geram diversos benefícios a saúde.

dna

A vida na cidade grande pode fazer com que muitos indivíduos atrofiem partes cerebrais relacionadas a diferentes estímulos. Muitas vezes não andamos descalços o suficiente, nossas mãos, pés, boca e orelhas, possuem muito mais receptores neurais sensoriais do que outras partes do corpo. De certa forma nosso cérebro tem uma “expectativa” de que usemos estas partes com mais frequência de maneira peculiar da mesma forma que ele tem uma expectativa de que usemos nossos ouvidos para ouvir, nossos olhos para ver, nossas cordas vocais para falar. Por exemplo, se ficarmos no escuro por muito tempo (meses) corremos o risco de perdermos a visão, ou pelo menos demoraremos um bom tempo para recuperar sua função. Precisamos sentir nossos pés, em um ambiente primitivo. Variações na superfície (objetos, ou elevações), a temperatura da superfície, a textura irão estimular os neurônios sensoriais do pé para seu cérebro desenvolva maior perspicaz em seu cálculo intuitivo da previsibilidade de movimentos para que se adapte de modo a gerar uma reação mais eficiente quando tiver que fazer pisadas futuras.

Sentir de maneira primitiva é importante do mesmo jeito que enxergar ou cheirar. Não somos adaptados geneticamente a respirar poluição, isso traz conseqüências negativas ao organismo, ao contrario de quando respiramos o ar puro, também não somos adaptados a ficar sentados no sofá assistindo televisão. A televisão é atraente para o ser humano pois ela é rica em movimentos. Estimula nossos sentidos, principalmente a visão e a audição, mas de maneira peculiar, com certa limitação, restringindo o uso de outros sentidos. Em excesso, também diminui a nossa capacidade de buscar movimentos no ambiente externo, tornando os neurônios visuais do cérebro quimicamente dependentes do movimento artificial para serem utilizados. A televisão “vicia” neurônios visuais.

Sentir o vento em nossos peitos, a água em nossos corpos e a luz do sol penetrando nossas peles em linhas gerais influenciam a produção de neurônios e a síntese de vitaminas e hormônios, como a vitamina/hormônio D, que influencia substancialmente nosso sistema imunológico. O resultados das pesquisas são claros a respeito dos benefícios da síntese da vitamina D, ela é uma das vitaminas, se não a vitamina, com o maior potencial de favorecer a saúde do organismo.

Rodrigo: Caio, durante alguns meses (antes de começar a dieta) você chegou a seguir uma alimentação vegetariana. Quais os motivos que o fizeram mudar para a alimentação Paleolítica?

Caio: Fui sensato o suficiente para buscar mais informações e entender mais sobre nutrição passando a me basear mais em artigos científicos e autores consagrados, do que em blogs ativistas como os blogs vegetarianos que se baseiam num idealismo utópico ético e alimentar como base de suas crenças, sendo enormemente carentes em estudos, e ricos em informações desprovidas de validade científica. Ah e é claro, antes de chegar nesta conclusão minha intuição constantemente me dizia estar fazendo algo que não faz bem para minha saúde. Meu intestino não funcionava bem, tinha problemas no intestino de todos os tipos, resultado do alto consumo de grãos como o trigo, arroz e feijão no lugar de alimentos mais densos nutricionalmente e mais desprovidos de toxinas, antinutrientes, exorfinas, e fungos como os alimentos derivados de animais ex: ovos carnes orgânicas, peixes, órgãos, aves, etc. Infecções e resfriados eram constantes. Felizmente não durou mais do que 4 ou 5 meses.

Açúcar

Rodrigo: Na opinião de vocês, quais as maiores dificuldades para quem está pretendendo mudar a alimentação para o estilo de que tanto falamos?

Bruna: Acredito que as pessoas, muito influenciadas pela mídia e pelos profissionais de saúde atuais ainda têm muita resistência ao consumo de gordura. Ela ainda é encarada como nociva e engordativa, por isso acho que muitas pessoas, no começo, ingerem menos gordura do que o ideal. Porém, se a pessoa busca um pouco mais de informações, vai se acostumando com a ideia e seus preceitos vão caindo aos poucos.

Caio: Os hábitos passados de alimentação e estilo de vida condicionados a anos junto com a dependência química/ psicológica do consumo de certos alimentos, principalmente o trigo e o açúcar. Para que haja uma mudança efetiva e duradoura é preciso não somente abordar a questão de maneira direta, ou seja, o quanto eu coloco de comida na minha boca ao longo do dia. São algumas pequenas mudanças de hábito que fazem a diferença, que determinarão se as pessoas terão sucesso com a dieta de maneira sustentável, ou passageira.

– O que eu compro no supermercado (o que os olhos não vêem o coração não sente, ou melhor o que os olhos não vêem e o nariz não cheira o cérebro não assimila e não manda sinais químicos que irão te dar vontade de devorar a porcaria que você comprou! O barulho do pão sendo mastigado pode estimular a produção de saliva também).

– Força de vontade: você terá que condicionar o seu cérebro executivo superior a controlar seus impulsos primitivos (gula) que neste caso estarão contra você.

Abordar a questão de maneira direta também é essencial, ou seja, adquirir conhecimento básico sobre nutrição. Procurar se informar quanto a quantidade de macronutrientes (proteína, gordura, carboidrato) que os alimentos possuem, saber quais os alimentos que podem ser consumidos mais e quais devem ser consumidos menos, ou não consumidos.

É importante que as pessoas não fiquem presas em conceitos muito simplistas. Ter somente objetivos superficiais e de curto prazo, como ser mais bonito ou perder peso, que são objetivos concretos e também importantes no processo motivacional, porém se estiverem desprovidos de um objetivo superior como se alimentar bem para conquistar maior saúde física e mental se tornam mais suscetíveis ao fracasso.

Entender o propósito geral da alimentação é mais importante, esta deveria ser a base, ou os pilares do pensamento, caso contrário a dieta pode tornar a pessoa propensa a desenvolver distúrbios alimentares, desencadeando medos enraizados no inconsciente atrelados ao ego da pessoa. Este medo em grande parte se sustenta na crença irracional, carregada de carga emocional negativa (desencadeamento do estresse pelas amígdalas) que está atrelada a sua auto-imagem, de modo a ela ser percebida como um “objeto” a ser almejado.

Esta é uma forma prejudicial de motivação para seguir a dieta, baseada na crença irracional de que sua auto-imagem é mais importante para aumentar sua capacidade de sobrevivência acima de tudo.

Atingir um equilíbrio emocional em nossos vidas durante a transição da perda de peso é essencial para nos proporcionar estabilidade de humor, serenidade e clareza mental e ao adotar um estilo de vida parecido com a dos nossos ancestrais encontramos o equilíbrio com mais facilidade.

Rodrigo: E para  fecharmos, qual o principal objetivo de vocês com o blog Primal Brasil e o livro “A DIETA DOS NOSSOS ANCESTRAIS”?

Caio: Escrevi o livro com o objetivo de divulgar mais o blog e o estilo de vida dos nossos ancestrais para os Brasileiros que estão muito carentes de informações cientificas sobre nutrição. Para conhecer um pouco melhor o livro e o blog clique aqui.

Para os que já conhecem e seguem esse tipo de alimentação, o livro é repleto de boas informações que sustentam esse estilo de vida.

Aos que ainda não conhecem ou que querem entender um pouco mais sobre as pesquisas e as origem desse tipo de alimentação, não percam o livro “A Dieta dos Nossos Ancestrais”!

Um abraço a todos!

(1) http://primalbrasil.com.br/comer-trigo-e-saudavel/

(2) “Special report: ‘What genes remember’ by Philip Hunter | Prospect Magazine May 2008 issue 146”. Web.archive.org. 2008-05-01. Retrieved 2012-07-26.

(3) “Exercise Increases Hippocampal Neurogenesis to High Levels but Does Not Improve Spatial Learning in Mice Bred for Increased Voluntary Wheel Running.” Behavioral Neuroscience, 117, 1006-1016.*

(4) McKimmie, Marnie. (2005). “Walk away from depression.” The West Australian (Perth), online.

(5) Physical Activity and Antidepressant Treatment Potentiate the Expression of Specific Brain-Derived Neurotrophic Factor Transcripts in the Rat Hippocampus.” Neuroscience, 101, 305-312.*

(6) http://blogs.scientificamerican.com/observations/2011/01/31/aerobic-exercise-bulks-up-hippocampus-improving-memory-in-older-adults/

(7) http://www.sciencedaily.com/releases/2009/02/090224133220.htm

(8) http://www.pnas.org/content/106/32/13207

(9) http://nmr.mgh.harvard.edu/~lazar/Articles/Holzel-SCAN-2010.pdf

(10) Anton J. Carlson and Frederick Hoelzel. Apparent Prolongation of the Life Span of Rats by Intermittent Fasting. Journal of Nutrition Vol. 31 No. 3 March 1946, pp. 363-375

(11) Johnson, James B.; Laub, Donald R.; John, Sujit (2006). “The effect on health of alternate day calorie restriction: eating less and more than needed on alternate days prolongs life”. Medical Hypotheses 67 (2): 209–11. doi:10.1016/j.mehy.2006.01.030. PMID 16529878.

(12) Wan, Ruiqian; Simonetta Camandola, Mark P. Mattson (June 2003). “Intermittent Food Deprivation Improves Cardiovascular and Neuroendocrine Responses to Stress in Rats”. The Journal of Nutrition (The American Society for Nutritional Sciences) 133 (6): 1921–1929. PMID 12771340. Retrieved 2006-11-30

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5 Respostas para “ENTREVISTA #1 – CAIO FLEURY E BRUNA MACHADO

  1. Oi Rodrigo, parabéns pela entrevista! Por favor, não deixe de publicar dicas sobre como tornar viável essa dieta no dia a dia, tanto do ponto de vista financeiro (custo X benefício), como de disponibilidade de locais que vendem os alimentos orgânicos mencionados e indicativos dos substitutivos (qual o substituto do pão na hora do lanche?). Obrigada!

    • Oi Débora, obrigado!!
      Sim, pretendo fazer um post falando sobre a viabilidade desse tipo de alimentação. Realmente pode parecer caro num primeiro momento, mas sem dúvida nenhuma é mais barato e sustentável do que imaginamos.
      Quanto aos locais, tentarei também fazer isso em breve.
      Quanto ao lanche, se as proporções dos macronutrientes estiverem certinhos, você não sentirá fome para um lanche. Mas se ainda estiver se adaptando ou no início da dieta, acho que abacates, ovos, a polpa do coco e outras frutas com baixo carboidratos. Além disso, atum, sardinha, castanhas, nozes, amêndoas, todas bem preparadas anteriormente também são excelentes opções.
      Mas realmente a maioria dos que conheço que mantém as proporções das refeições certinhas não sentem fome nenhuma. E aquele papo de comer de três em três horas é algo que se você se alimenta corretamente, pode deixar pra trás…
      Ninguém melhor do que seu corpo para indicar o momento e a quantidade que você precisa consumir. O que precisamos é apenas consumir os alimentos certos :]

      Um abraço,

  2. Eu sigo uma dieta low carb e acredito que a comida industrializada faz mal a muita gente. mas lendo a reportagem comecei a refletir. Pessoas magras e sem problemas de câncer, cardíacos e diabetes (ou seja pessoas saudáveis) que têm uma dieta industrializada não representariam uma forma de evolução do ser humano???? Afinal, a seleção natura, (da evolução do homem) ocorre lentamente e aos poucos vai separando os elementos desenvolvidos de outros não desenvolvidos…

  3. Gostei muito das idéias. Gostaria de saber se realmente existe um estudo onde demonstra que nossos ancestrais realmente não tinha essas doenças que temos hoje.ou seja: realmente tinha saúde? morriam com que idade? por ai vai..

  4. Pingback: Nossa entrevista para o Nutrição do Futuro·

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