Weston A. Price e os Povos Primitivos

Tribo Masai

Tribo Masai – África

Introdução

Pouco a pouco vamos descobrindo que temos muito a aprender com as culturas tradicionais. Muitas vezes consideradas não civilizadas e primitivas, eles possuem mais conhecimento e razão do que nossa forma de pensar parcial e fechada permite enxergar.

Tradição, sabedoria, valores e espiritualidade, que antes eram passados de geração em geração hoje se perdem diante da velocidade da informação e superficialidade das relações humanas. E apesar de inegável evolução intelectual e tecnológica que conquistamos, muita sabedoria foi ignorada e perdida com o passar do tempo.

Estudos feitos com povos e culturas afastadas do mundo moderno nos revelam conhecimentos que seriam capazes de mudar nossa historia como civilização. Porém, como tais conceitos não são lucrativos nem fáceis de serem seguidos, foram deixados de lado e hoje não existem em um mundo onde o tempo é cada vez mais curto e nosso foco cada vez mais no “sucesso financeiro”.

Entre essas coisas esquecidas, uma das mais importantes foi a real noção sobre saúde. Estamos totalmente desvirtuados e iludidos.

Hoje, saúde é sinônimos de modernidade, hospitais suntuosos, tecnologia em exames laboratoriais, grande número de médicos e medicamentos para todos os problemas.

Mas no fundo, saúde deveria significar o oposto disso. Deveria refletir uma sociedade que não precisa da maioria dessas coisas.

Isso sim, representaria nossa evolução e inteligência como seres humanos e sociedade: menos hospitais, menos exames invasivos, medicamentos e até mesmo médicos. Simplesmente pois não precisamos de nada disso para sermos saudáveis e felizes. Para alguém que lê isto aqui pela primeira vez, pode parecer bastante utópico e forte, mas é algo mais real do que imaginamos, desde que tivéssemos desde pequenos, mais informação e conscientização.

Sem dúvida é maravilhosa e admirável nossa evolução técnica e intelectual no sentido de possuirmos tecnologias para operações complexas e emergenciais, diagnósticos precisos etc. O problema é quando essa “evolução” se sobrepõe a algo muito mais fantástico e grandioso: a complexidade do nosso organismo.

Nosso erro é  não respeitar algo que é tão incrível e interligado. A criação mais perfeita e complexa que conhecemos. É quando a medicina passa a ser extremamente intervencionista, achando que o ajuste desse sistema complexo depende dela e de seus agentes químicos.

Isso é uma ignorância tão grande que faz com que toda maravilha tecnológica que construímos perca o sentido pois não se propõe a dar o suporte necessário ao doente, mas busca tomar a frente do processo terapêutico, do próprio corpo. E é isso que o estudo dos povos primitivos nos traz de sabedoria.

Povos que viviam com saúde e felicidade sem nenhuma parafernália tecnológica, nem químicas estranhas a nosso organismo, nem grande quantidade de médicos e medicamentos. Eles viviam com saúde pois seguiam a natureza. Não tentavam lutar contra algo que é infinitamente mais poderoso que nós. Eles não consumiam produtos que nosso corpo nunca foi feito para processar. Comiam o que aprendiam desde crianças com seus antepassados, usavam “remédios” naturais cujas funções eram sempre de dar suporte ao processo de cura. E com isso viviam bem. Longe de doenças degenerativas e crônicas, que hoje são os maiores problemas na área da saúde.

Hospital

Nossa alimentação hoje, é baseada em produtos que nunca fomos feitos para consumir. Produtos industrializados, cheios de açúcares, aditivos e venenos que nos matam aos poucos e que não passam de químicas irreconhecíveis ao nosso organismo.

Por ignorarmos tais coisas e não questionarmos os paradigmas atuais, cada vez mais achamos que a evolução é o oposto do que realmente é. E o pior: olhamos com desdem para tudo que vai contra tais princípios. Achamos que medicinas holísticas, alternativas, homeopatia, medicina tradicional chinesa, medicina integrativa, espiritualidade são sinônimos de charlatanismo e ineficácia. Não respeitamos outros povos que não necessitam das mesmas superficialidades que nós, simplesmente por serem mais simples. Achamos que a verdade é sempre o mais óbvio, sem saber que essa obviedade é devido a uma massificação e informações erradas. Ignorância construída por nós e por nossa sociedade. Hoje, acreditamos que as facilidades que aparentemente nos trazem os produtos industrializados e medicamentos são fundamentais em nossas vidas.

Diagnosticar “doenças” graves e “tratá-las” com medicamentos fortes e perigosos, fazer cirurgias e retirar órgãos nos trazem sensação de modernidade, de mais saúde, enquanto no fundo a maioria de nossos antepassados mal sabiam da existência dessas mesmas doenças. E não por não conseguirem diagnosticá-la. Mas porque simplesmente sua incidência era mínima, quando existente. Enquanto hoje são predominantes em nossa sociedade.

Ao invés de pensar no quanto são absurdas as epidemias de obesidade, hipertensão, diabetes, canceres, ficamos satisfeitos por descobrirmos “remédios” que, na melhor das hipóteses, controlam controlam tais doenças com poucos efeitos colaterais. Vêem a dimensão do absurdo? Mas não fomos criados e educados para enxergar nem questionar tais coisas.

Intervenção

A natureza e nossa atenção às suas regras é o que nos traz saúde e felicidade. Não entendemos por que sofremos, mas se pararmos para pensar, qualquer que seja o tipo de sofrimento ele acontece pois vamos contra leis naturais maiores do que nós. São os abusos e os desrespeitos a essas leis que sempre nos trazem dor. E entre essas leis podemos destacar a nossa fisiologia animal.

É conhecendo profundamente nosso corpo e seu funcionamento, junto com a determinação necessária para fazer o certo e não o mais conveniente, que nos colocamos de volta ao caminho da saúde.

O que acontece hoje é que estamos indo totalmente contra o que nosso corpo foi feito para processar. Nos intoxicamos todo o tempo e de todas as formas, de maneira que doenças, alergias, gripes, e outras coisas mais graves se tornaram comuns para nós. Passamos a aceitar anomalias e distúrbios como se fossem inevitáveis.

É impressionante como em menos de um século desenvolvemos duas indústrias capazes de nos afastar tanto da saúde. As industrias alimentícia e remédios farmacológica nos ensinaram a pensar que dependemos delas para manter nossa comodidade e saúde. O problema é que seu único interesse é econômico. Tanto faz se a lasanha congelada que você come é uma absurda agressão ao seu corpo. Ela é “gostosa”, prática e acessível. E por isso vende. E infelizmente os que mais sofrem são os com menos informação e recursos financeiros pois não lhes sobram muitas escolhas.

Mas por que mudar isso? O que ganharíamos em nos alimentar melhor e não tomar tantos remédios?

Weston A. Price e os Povos Primitivos

Weston Price, nascido no canadá em 1870, foi um dentista e um dos maiores contribuidores para o que sabemos hoje sobre a influência da alimentação em nossa saúde física e mental.

Weston A. Price

Weston A. Price

Suas pesquisas começaram ao observar que as pessoas de sua época, diferente das gerações mais antigas apresentavam, cada vez mais, sérios problemas dentários. Além disso, ele descobriu algo bastante curioso: tais problemas quase sempre estavam associados com problemas de saúde em geral. Descobriu que as mesmas coisas que influenciavam negativa ou positivamente nossos dentes afetavam diretamente nosso corpo como um todo.

Resolveu então fazer uma pesquisa que mudaria sua vida, e creio que a nossa também. Durante anos ele buscou povos que viviam afastados do que chamamos de civilização mas que viviam com plena saúde. Incrivelmente ele descobriu que esses mesmos povos, simples, não civilizados e sem recursos que hoje consideramos básicos, não só tinham dentes lindos, arcadas perfeitas mas também eram imunes a um gigantesco número de problemas que já naquela época afligiam as culturas “civilizadas”.

Price e sua esposa, passaram muitos anos de suas vidas viajando pelo mundo, numa época onde viajar para longe era bastante complicado. Ele estudou mais de 14 culturas ao redor do mundo, passando por Africa, Américas, Europa, Ilhas do Pacífico, etc.

Essas culturas não tinham contato nem acesso ao modo de vida moderno. E no entanto os fatos eram impressionantes: povos saudáveis, ausência de doenças degenerativas, cáries, queda de dentes etc. Isso o impressionou tanto que ele registrou amplamente sua viagem. Foram ao todo mais de 14.000 fotos e muitos outros  registros que integram seu sensacional livro “Nutrition and Physical Degeneration” que recomendo a todos que se interessem verdadeiramente por nutrição e saúde.

Weston A Price - Povos Primitivos

Povos Primitivos antes do contato com o homem branco. Dentes, arcadas e saúde excelentes.

Mas sua pesquisa não parou por aí. Se tivesse parado, muitos argumentariam que esses povos poderiam ter uma configuração genética diferente da nossa e por isso, não terem tendência a esses tipos de doenças tão presentes em nossa sociedade. Felizmente (ou talvez não tanto) ele teve a oportunidade de conhecer alguns povos onde algumas gerações estavam em pleno contato com o homem branco enquanto gerações mais antigas desse mesmo povo viviam de acordo com os hábitos e alimenção tradicionais de suas culturas.

Livro Nutrition and Physical Degeneration

Livro Nutrition and Physical Degeneration

Ele teve a chance de ver a saúde nos idosos que ainda viviam tradicionalmente e por outro lado as doenças graves afetando seus filhos, que infelizmente haviam cedido às facilidades e comodidades da civilização. Além disso teve a infelicidade de ver crianças nascendo depois desses pais terem adotado os novos hábitos. Era algo degradante pois apesar de terem acesso aos alimentos e modo de vida moderno, não tinham nenhum acesso à medicina e seus recursos. O sofrimento era enorme.

Seu livro mostra inúmeros exemplos como esse abaixo. A degeneração de pessoas que antes tinham plena saúde, por causa da industrialização e refino de alimentos. E os casos se repetiam em todas as culturas que começavam seu contato com a os produtos e hábitos da “civilização”.

Weston A Price - Povos Primitivos e Degeneração

Povos Primitivos após o contato com os hábitos da civilização. Problemas sérios de saúde, deformação da arcada, perda de dentes e cáries.

Weston A. Price foi além e continuou sua pesquisa após sua volta. Começou a tratar pessoas com problemas de saúde através de uma alimentação saudável e alguns suplementos naturais. Os resultados foram impressionantes: regressão e cura de cáries dentárias e doenças graves eram comuns. Da mesma forma ele presenciou em pessoas de povos tradicionais, que após adoecerem, voltavam aos hábitos de suas culturas. Elas também se curavam e recuperavam apenas voltando a alimentação tradicional.

Considerações Finais:

– Todas as dietas não continham produtos refinados como açúcar, xaropes de frutose, farinha branca, enlatados, laticínios pasteurizados, desnatados ou semi-desnatados, óleos vegetais hidrogenados, vitaminas artificiais e aditivos tóxicos

– Todas as culturas tradicionais consumiam algum tipo de proteína e gordura animal, entre eles, peixes e frutos do mar, aves, carne bovina, ovos, leite e derivados, répteis e insetos

– As dietas continham pelo menos 4x mais cálcio e outros minerais, e 10 x mais vitaminas solúveis (entre elas, Vitamina A, D e K) do que as dietas atuais

– Todos os povos consumiam produtos naturais e sem agrotóxicos, fertilizantes químicos. Algo que buscamos hoje com a produção orgânica 

– Dietas tradicionais eram ricas em enzimas, obtidas de alimentos crus. Entre eles, laticínios, carnes e peixes, mel, frutas tropicais, oléos extraídos a frio, vinhos e cervejas não-pasteurizadas e sem conservantes, vegetais, carnes, frutas bebidas e condimentos lacto-fermentados

– Consumo total de gorduras nas dietas tradicionais variavam de 30% a 80% mas apenas 4% dessas calorias vinham de gorduras polinsaturados (como os óleos vegetais: girassol, soja, milho etc), encontrados naturalmente em grãos, nozes, peixes e gorduras vegetais e animais. O balanço de gorduras eram na forma de gorduras saturadas e monoinsaturadas

– Dietas tradicionais possuiem quantidades equilibradas de Omega-3 e Omega 6

– Todos consumiam alimentos integrais e ricos em nutrientes

– Todas  continham algum tipo natural de sal 

-Todas elas consumiam ossos animais, normalmente em forma de caldos gelatinosos, ricos em minerais.

– As culturas tradicionais sempre preparavam e reservavam os melhores alimentos crianças e gestantes. Alimentos considerados mais ricos e nutritivos como algumas gorduras, leite e sangue, eram especialmente reservados eles. Além disso todos os princípios de suas dietas e cultura eram passados de geração em geração desde a infância

– Todos consumiam gorduras saudáveis e saturadas, normalmente de origem animal

– Sementes, Nozes e Grãos eram deixados de molho ou fermentados antes de serem consumidos. Hoje sabemos que isso é necessário para remover os fitatos desses alimentos, considerados anti-nutrientes que prejudicam a absorção de minerais por nosso organismo.

– Todos consumiam produtos animais, e sempre aproveitavam o animal inteiro, incluindo órgãos e vísceras. Alguns tipos de produtos animais eram consumidos crus

– Alguns povos não tinham acesso e portanto não consumiam vegetais nem frutas, mas eram igualmente saudáveis

– Apesar de todos os povos consumirem em abundância alimentos hoje considerados perigosos como gorduras saturadas, ovos, carnes, nenhum deles tinha qualquer indício de doenças degenerativas

Inuits

Esquimós – Inuits

Além de mudarmos nossos hábitos para melhor e consumirmos alimentos de verdade, de nada adiantará se continuarmos consumindo as toxinas que nos destroem:

– Praticamente todos os produtos industrializados

– Peixe e frutos do mar provenientes de cativeiros

– Carnes de animais provenientes de criação em confinamento e alimentação com ração

– Alimentos Light ou com baixo teor de gorduras

– Soja e seus derivados: leite, tofu, proteína texturizada, xaropes, etc. A soja para ser consumida deve ser fermentada naturalmente por um grande periodo de tempo, na forma de Missô, Natô, etc

– Leite e laticínios pasteurizados, desnatados ou semi-desnatados

– Margarinas, gordura vegetal hidrogenada e óleos vegetais processados e refinados

– Cereais matinais como Corn Flakes

– Fast-Food, Refrigerantes e Sucos Industrializados

– Açúcares e adoçantes

– Farinhas refinadas e seus produtos

A fundação Weston A. Price Foundation existe até hoje e divulga as pesquisas e descobertas de Weston A. Price e outros pesquisadores.

Nossa saúde futura depende de nós e de nossas atitudes hoje. Pequenas mudanças já têm um grande impacto em nosso futuro.

Que a gente pouco a pouco modifique nossos hábitos para o que fomos feitos para consumir.

Weston A. Price Foundation

Livro – Nutrition and Physical Degeneration – Amazon

Creditos Foto Masai – Anna Omelchenko / Shutterstock.com

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