Longevidade e as “Blue Zones”

Todos buscamos uma vida feliz, saudável e longa. Dizemos a todos que nos importa apenas o amor, nossas famílias e amigos, paz, saúde e harmonia. Mas sem percebermos, fazemos tudo para nos afastar cada vez mais desses valores. Estamos cada vez mais perdidos e agitados. Mais rasos e iludidos.

Queremos ter saúde e nos alimentamos mal, dormimos pouco, vivemos agitados e ansiosos, consumimos bebidas alcoólicas em excesso, fumamos.

Queremos ter paz mas vivemos alucinados com nossos trabalhos, em constante estresse e cada vez mais aprisionados por causa da nossa ambição. Infelizmente ainda não conseguimos determinar o limite para o que nos é suficiente. Queremos sempre mais e mais. Mais responsabilidades, mais reconhecimento, mais dinheiro. E fazemos isso sem enxergar o paradoxo que criamos. Agimos assim, pois acreditamos que dessa maneira teremos mais paz e liberdade, enquanto no fundo somos livres e felizes conforme mais simples e menos ambiciosos nos tornamos.

Queremos um grande amor, amizades verdadeiras mas nos rendemos à superficialidade, sensualidade e futilidades que nos são empurrados, principalmente pela mídia, e pouco a pouco, sem percebermos, nos afastamos do que é essencial para nossas vidas.

Queremos que nossos filhos tenham tudo do bom e do melhor, que sejam bem sucedidos, informados, mas esquecemos o quão pouca é nossa atenção ao lado imaterial, ao lado moral e espiritual.

Uma pesquisa na Inglaterra mostrou que os pais passam em média 49 minutos com os filhos por dia e a maioria nem imaginava tal fato quando entrevistados. Muitas vezes os vestimos desde pequenos com as melhores roupas e deixamos suas almas nuas, sem nenhuma educação moral e espiritual. Estudam nas melhores escolas pois achamos que isso suprirá nossa ausência diária e a vida em família.

Vivemos cada vez mais conectados com o mundo virtual e  desconectados de nós mesmos, dos que amamos. Sabemos mais do que acontece no mundo do que dentro de nossas mentes. Não conhecemos nossos sentimentos nem nossos potenciais e por isso aceitamos o que nos é falado sem questionar.

Trabalhamos muitas vezes infelizes pois não fazemos o que mais gostamos. Vejo pessoas abandonando sonhos e talentos por acharem que tal profissão é muito difícil, ou porque não dá dinheiro.

Você já se perguntou que trabalho você faria com prazer e alegria para o resto da vida? Ser competente e bem sucedido é consequência do prazer e alegria de se estar fazendo o que gosta. Buscamos ser bem sucedidos antes de descobrir nossos potenciais e por isso falhamos. Somos um mar de potenciais fantásticos assolados pela falta de auto-conhecimento, por escolhas erradas e por falta de determinação e de propósitos.

Digo isso tudo pois é parte da minha busca, pois sem equilibrar o que está errado. Falo isso antes de entrar no nosso assunto principal, Longevidade, pois longevidade é a consequência. Consequência de equilíbrio e propósito, Consequência de temperança, de sermos simples e nos satisfazermos com pouco. Essa é a chave da nossa liberdade, paz e saúde.

Precisamos encontrar nosso equilíbrio novamente. Encontrar nosso propósito nessa vida, encontrar a estrada que nos leva a tudo que precisamos para sermos felizes em nossas vidas. Precisamos mudar de direção e sair desse estilo de vida absurdamente paradoxal onde corremos no sentido contrário do que mais buscamos para nossas vidas.

Se você, concorda que saúde é muito mais do que alimentação, muito mais do que ter um corpo saudável, mas também uma mente equilibrada, e uma alma leve e boa, um contato estreito com a inteligência maior e suprema que nos rege (independente da sua religião), amizades e relacionamentos verdadeiros, então provavelmente você vai gostar desse post!

Blue Zones

Um estudo chamado Estudo dos Gêmeos Dinamarqueses, concluiu que apenas 10% da quantidade de anos que vivemos é definido por nossos genes, enquanto os outros 90% são definidos pela forma que vivemos. Pelo nosso estilo de vida.

A partir dessa premissa, há alguns anos atrás, uma equipe de pesquisadores, entre eles, médicos, antropólogos, cientistas, começaram uma pesquisa com o intuito de encontrar o que chamaram de Blue Zones (Zonas Azuis). Eles definiram inicialmente, com base em estudos anteriores sobre longevidade, 4 lugares no planeta (Loma Linda, California, EUA| Nicoya Peninsula, Costa Rica | Sardenha, Italia | Okinawa, Japão) para estudarem detalhadamente o que essas pessoas faziam e principalmente, o que elas tinham de comun, apesar de culturas e regiões completamente diferentes, para terem uma vida além dos 100 anos com saúde e felicidade, longe de doenças.

São lugares onde se vive com um estilo de vida excepcional, onde pessoas de mais de 105  anos parecem ter 70. É o mais próximo que conhecemos de  um estilo de vida ideal para nosso organismo.

Dan Buettner e sua equipe, começaram então a catalogar informações sobre o que essas pessoas desses quatro lugares diferentes compartilhavam. O que esses quatro grupos de pessoas de lugares faziam que as colocavam no caminho da longevidade.

E a partir desses estudos, eles chegaram a 9 importantes fatos, compartilhado por todos os quatro grupos ao redor do mundo. Eis aqui uma pesquisa muito interessante e séria sobre como vivermos melhor, com mais saúde,  felicidade e paz.

1- Exercícios Naturais

Pessoas dos 4 grupos não faziam musculação, corriam maratonas ou iam a academias. Eles viviam em ambientes que naturalmente os mantinham em movimento, sem terem de pensar em exercícios. Eles plantavam, caminhavam, subiam escadas ao invés de usarem elevadores, utilizavam bicicletas ou iam a pé para o trabalho e não tinham aparelhos mecânicos para casa que os poupavam de fazer esforços.

2- Propósito

As pessoas de todos os 4 grupos tinham sempre um propósito em suas vidas. Lembram sobre o que falamos mais acima de desenvolver os potenciais que possuímos? É isso! Eles descobriram seus potenciais e vivem e trabalham com prazer pois seguem e trabalham com o que os fazem felizes. A vida exterior está alinhada com seu interior, com seu potencial.

3- Desacelerar

Todos nós lidamos em nosso dia-a-dia, com estresses e situações de agitação, inclusive os integrantes dos Blue Zones. A diferença é que nós não sabemos desacelerar. Pelo contrário, achamos bom viver agitados e ansiosos. Para muitos (que não tem um propósito em suas vidas) essa é a forma de se sentirem vivos, ativos e produtivos. O problema é que esse tipo de estresse, quando constante, nos leva a diversos problemas de saúde físicos e mentais. Vivendo estressados, colocamos em segundo plano todas as funções básicas do nosso organismo. Nosso sistema imunológico diminui, nossa digestão piora, nosso poder de nos desintoxicarmos diminui. Por isso é tão importante a pratica diária das pessoas desses grupos de desacelerar. Tirar minutos do seu dia para relaxar, descansar a mente, se conectar Deus. De preferência esse momento têm de ser no meio de seu dia de estresse. Durante as refeições é fundamental desligarmos de tudo completamente e nos concentrarmos no ato de nos nutrir.

4- Regra dos 80%

O Mantra de Confúcio diz que devemos parar de comer quando nossos estômagos estiverem 80% cheios. Isso porque leva mais ou menos 30 minutos para o cérebro entender que estamos saciados. A sobrecarga do sistema digestivo é um dos maiores problemas nos dias atuais. É tão grande que muitas pessoas já se acostumaram a se sentirem cheias e desconfortáveis após as refeições. Essa mudança de hábito é fundamental se você quer ter certeza de que está assimilando tudo que consome e de que não está sobrecarregando nenhum órgão.

Além disso nos grupos Blue Zones, as pessoas tendem a não consumirem alimentos em excesso na parte da noite. Isso é uma grande sabedoria pois por causa do tempo que o alimento leva para ser digerido e a quantidade de energia necessária para tal função, sabemos que uma refeição pesada de noite atrapalha muito nosso sono.

5- Alimentação com Vegetais

Todos os grupos do estudo consumiam ótimas quantidades de vegetais. O preparo do alimento também era feito de forma tradicional e obviamente não consumiam industrializados e as porcarias que estamos acostumados.

Todos os grupos consumiam carnes e gorduras de forma natural, mas sem excessos.

6- Vinho

Com exceção dos Adventistas de Loma Linda – Califórnia, todos os outros grupos consumiam alguma quantidade de vinho. Normalmente de 1 a 2 taças ao dia.

Sabemos há bastante tempo que os polifenóis encontrados em vinhos são poderosos anti-oxidantes que auxiliam em evitar o processo degenerativos. Vale lembrar que os vinhos que consumimos normalmente contém ingredientes como nitritos e sulfitos que não nos fazem bem. E como todo alimento natural e livres de químicas os vinhos puros são mais difíceis de serem encontrados e conservados.

7- Religiosidade

Praticamente todos pertenciam a algum tipo de religião e participavam mais ou menos ativamente de atividades ligadas a suas crenças. Gostaria aqui de expor um ponto que apesar de controverso, acredito completamente. Não existe corpo doente sem que antes haja alma e mente doente. A doença física é a ultima expressão de desequilíbrio, que começou em nossa alma, passou e tomou expressão em nossa mente e se efetivou em nosso corpo físico. Consequentemente a cura deve ser integral, espirito, mente e corpo.

Por tudo que tenho estudado e pesquisado, cada vez fica mais claro que o processo de cura envolve conscientização, aprendizado, mudança, determinação e paciência. Nos curamos quando e, só quando, evoluímos. E nisso a religiosidade e a fé, independente de qual, é parte fundamental.

8- Entes Amados em Primeiro Lugar

Os centenários dos grupos pesquisados colocavam sempre em primeiro lugar suas famílias. Isso significava ter os parentes mais idosos por perto. Nesses povos, o respeito e admiração pelos mais velhos é muito presente. Além disso eles garantiam grande parte de seu tempo, atenção e amor aos seus filhos.

9- Socialização

O homem, quando só (ou mal acompanhado) adoece. Em todos os grupos pesquisados, a atividade de socialização era intensa, profunda e verdadeira. Todos tinham uma vida repleta de amigos que carregavam por toda a vida. Nesses ciclos, todos se ajudam e se servem. Muitos se reúnem na casa de amigos e compartilham suas vidas e experiências.

São esses os itens mais marcantes e comum a todas essas culturas. Interessante não?

Mais interessante é assistir a tudo isso que falei acima nessa excelente palestra do TED sobre o projeto Blue Zones, apresentada por Dan Buettner. Garanto que serão 20 minutos que levarão para o resto de suas vidas.

Obs.: Tem legendas em Português.

Além dessa palestra, queria compartilhar um ótimo vídeo do Dr. Alexandre Feldman onde ele fala sobre Longevidade e Saúde em seu canal no Youtube. É seu primeiro vídeo da série “Longevidade”. Assim que saírem os próximos, atualizo aqui. Além disso você pode assinar o seu canal no Youtube e ser avisado sempre que um novo vídeo for postado.

Para os que já viram os vídeos acima, tenho apenas uma pergunta:

E você, já descobriu qual é seu “IKIGAI”?

Vida longa e feliz a todos nós!

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5 Respostas para “Longevidade e as “Blue Zones”

  1. Adorei seu artigo. Muito bem escrito !!
    Gostaria apenas de dizer que infelizmente existem pessoas (a maior parte talvez) que trabalha exaustivamente simplesmente para ganhar um salário mínimo que mal garante sua subsistência e realmente tem pouca ou nenhuma oportunidade de cuidar( melhor) de sua saúde….

    • Oi Silvia, tudo bem? Obrigado!
      Concordo totalmente com você, muitos mal conseguem ter acesso ao mínimo.
      Torço para que tempos melhores venham para que o básico não falte a ninguém e que dessa forma cada vez mais possamos buscar as muitas verdades sobre a vida, saúde e nós mesmos, que tanto ainda ignoramos.
      De qualquer forma, me fascina ver que esse básico, mínimo, essencial, é muito menos do que podemos supor. E que de certa forma exige informação, disciplina e trabalho, e muito menos dinheiro propriamente dito.
      Um abraço,
      Rodrigo

  2. “E nisso a religiosidade e a fé, independente de qual, é parte fundamental” – qual a evidencia para essa afirmaçao, ou eh apenas sua opiniao pessoal? Voce esta sugerindo que ateus como eu estao condenados a morrer cedo?

    Este foi o primeiro artigo de seu blog que li e infelizmente fiquei bem decepcionado. Afirmar que religiosidade eh “fundamental” para a longevidade nao tem base cientifica nenhuma e eh ofensivo para todos que nao acreditam em religiao.

    Se esse eh o seu posicionamento do seu blog, sugiro colocar um “disclaimer” para alertar os desavisados.

    • Oi Luis, tudo bem?

      Olha, primeiramente peço-lhe desculpas caso tenha se sentido ofendido. Sem dúvidas não foi minha intenção.

      Tentarei me fazer entender pois acho que você interpretou minhas palavras de forma diferente da maioria das pessoas. Para exemplificar, tenho um grande amigo que lê o blog e é ateu, uma pessoa que considero muito intelectualizada e ele não viu dessa maneira. Imagino que ele tenha entendido meu ponto e tentarei passar isso para você.

      Respondendo as suas perguntas:

      Qual a evidencia para essa afirmação, ou eh apenas sua opinião pessoal?

      Existem estudos científicos que mostram benefícios de pessoas que têm alguma religião ou crença. Independe de acreditarem necessariamente em Deus ou não. Mas tudo que escrevo no blog têm sim origem em minha bagagem intelectual, cultural e sem dúvida religiosa. Minhas crenças. São pontos de visão meus que acho que valem a pena serem compartilhados.

      Se quiser encontrar esses estudos, posso tentar conseguir e enviar para você. Mas de qualquer forma, o texto que escrevi foi baseado num programa que chama-se “Blue Zones” do Dan Buettner. Se lhe interessar dê uma olhada pois são bem interessantes. Aqui vai um dado que eles encontraram em suas pesquisas que diz respeito ao que estamos falando:

      “All but five of the 263 centenarians we interviewed belonged to some faith-based community. Denomination doesn’t seem to matter. Research shows that attending faith-based services four times per month will add 4-14 years of life expectancy.”

      Não estou falando que isso prova algo, mas como o que escrevi foi baseado nesse estudo que achei interessantíssimo, escrevi o que entendo sobre isso.

      Uma coisa que acredito é que a ciência dá conta de explicar muitas coisas sim, mas como há 500 anos atrás não entendiamos a gravidade e muitas outras coisas, penso que existam muitas outras que ainda ignoramos e por isso vejo a necessidade da nossa humildade perante toda essa grandiosidade que existe.

      Para que você entenda melhor meu ponto e o objetivo do meu blog, dedico uma grande parte do meu tempo lendo e pesquisando informações com o intuito de compreender e divulgar pontos de vista que acho válidos para pessoas que nem conheço.

      Entendo que não concorde e respeito seu ponto de vista!

      Você disse que foi o primeiro artigo que leu e ficou bem decepcionado. Eu penso que talvez você tenha criado então expectativas sobre mim que talvez não correspondessem com quem eu sou. Não sou um cientista, sou alguém que têm uma bagagem, cultura e crença específica.

      Diferente de muitos, parecido com muitos, sou apenas alguém que tenta se informar de assuntos que possam fazer minha vida e a dos outros mais rica. Que sirva de matéria prima para a nossa evolução intelectual ou moral.

      Infelizmente você não enxergou as qualidades que talvez eu tenha mas apenas o que você considerou como “minhas falhas”. Acho uma pena que talvez, em todo o blog, com mais de 20 posts diferentes você tenha tirado só apenas um ponto que discordamos e deixou de ver milhares de outros que talvez concordássemos. Tem uma outra metade do copo que está cheia. E o blog está lá a sua disposição para o caso de querer olhá-lo com outros olhos. Talvez um olhar mais tolerante e calmo.

      Espero sinceramente que possa tentar ver de outra maneira o que penso. Sem julgamentos de mim para você e de você para mim. Que você veja o que escrevi de bom, e não apenas o que achou ruim. Apenas uma troca saudável de pontos de vista, mesmo que opostos.

      Um abraço,

      Rodrigo

      • Religião/religiosidade significa “se religar” é isso pode ser feito por qualquer um, independente de pertencer a qualquer religião. Contemplar a natureza pode ser uma forma de religação, entre tantas outras, por isso TODOS podem se espiritualizar.

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